A Última Gota de Escuridão - Capitulo 10

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Instituto Heidrun – parte 2

POV: Dário Khalil

Gabriel, que ainda não fez nenhum esforço para esconder o desgosto do rosto, pensou em abrir a boca algumas vezes para reclamar da escolha duvidosa de Antônio, mas reconsiderou. Quem sabe daí há uns dias, não apareceria uma matéria online por aí, elogiando a magnanimidade de Dário por andar com alguém como ele?

Os olhos de Gabriel brilharam de satisfação ao pensar nisso. Claro, se ninguém publicasse tal notícia, ele poderia muito bem fazer com que ela fosse publicada. Ramon por outro lado, agiu como se tivesse reparado na existência do grupo pela primeira vez desde que chegara.

— Oh, prazer! Ramon Cezar! — Ele disse estendendo a mão calejada para Dário, Eliezer e Carlos.

Gabriel, que foi completamente ignorado por Ramon, arregalou os olhos para o disparate. Dário, que por sua vez, recebeu a instrução de que algumas pessoas costumavam apertar as mãos dos outros quando se cumprimentavam, apertou a mão dele de volta, com um singelo sorriso no rosto. 

— Muito prazer, Ramon Cezar. Sou Dário Khalil. 

Ramon pressionou os lábios, aparentando segurar o riso por algum motivo.

— Pode me chamar apenas de Ramon, e… todo mundo sabe quem é o famoso Dário Khalil, não é? Você, claro, é Eliezer Gerson?

— Sim, muito prazer… — Eliezer mostrou um imenso sorriso.

— Enfim, vamos?

Ramon perguntou, movendo seus olhos pela primeira vez para Gabriel, como se soubesse que Gabriel deveria dar a última palavra nesse caso. Como tudo já estava acertado, Dário e Eliezer saíram seguindo Ramon de perto. Apesar do enorme sorriso simpático no rosto dos três, Dário percebeu que Ramon não era do tipo que jogava conversa fora.

Os três apenas seguiram o diálogo inicial mecânico, ensaiado e foi isso. Não andaram muito e dedos começaram a ser apontados na direção do grupo, seguidos de perto de pequenos gritinhos alvoroçados.

Ramon não demonstrou em sua expressão, mas Dário pôde perceber que ele estava bastante incomodado com aquela situação. Mesmo assim, ele continuou andando e explicou com bastante profissionalismo:

— Deveríamos ir primeiro aos laboratórios? O curso de Magitecnologia possui vários tipos de instalações para cada tipo de atributo mágico. A turma deste ano está dedicada a um projeto de atributo Natural. 

Dário e Eliezer confirmaram com a cabeça. Apesar de ainda não ser a hora de início das aulas, vários alunos já estavam ocupando os laboratórios, fazendo atividades e pesquisas. A maioria dos cursos praticava os feitiços padronizados que tinham sido descobertos e aperfeiçoados nos últimos anos.

— Normalmente só usa os laboratórios quem já for um espectro, ou quando a turma decide fazer alguma atividade neles. Para lá, fica a biblioteca cativa, onde ficam todos os trabalhos já produzidos pelos alunos, e aqui fica a biblioteca pública com todo tipo de livro de referencia ou recreativo…

Pelo canto do olho, Dário percebeu o exato momento em que um vulto mergulhou atrás da mesa da recepção, se escondendo de vista, mas sem sentir nada suspeito, resolveu apenas ignorar a situação.

— Como nós temos uma estrutura bem casual quanto às aulas na divisão de pesquisa, normalmente, os alunos pegam os livros com as teorias ou os feitiços que querem testar e vão até os laboratórios, mas pessoalmente eu acho que a biblioteca é um excelente local estratégico para descansar e talvez até cochilar um pouco. Eliezer concordou depois de ver os vários alunos derretidos sobre as cadeiras e poltronas.

O tour continuou.

— Para lá, temos a praça de alimentação… a variedade até que é bem boa, apesar de vários alunos preferirem ir no centro provar algo diferente às vezes… E aqui ficam as salas de aula.

O curso tinha um pequeno prédio particular de dois andares dentro do campus. Diferente dos laboratórios, praça de alimentação, biblioteca, lá havia apenas salas de aula de multimídia normais. Nada fantástico. Mesmo assim, Dário sentiu uma leve ansiedade pela primeira vez.

Haviam apenas treze alunos em sua classe, ou melhor, quinze contando com eles a partir daquela semana. Dário já tinha revisado extensivamente as fichas com as informações relevantes de todos os colegas de turma, então ele tinha alguma ideia de onde tinha sido jogado. O que o intrigava, porém, eram possibilidades que o envolvimento com outros jovens da mesma idade pudesse trazer.

Essa seria a primeira vez…

Claro, ele tinha sido minuciosamente programado sobre como reagir em cada situação que Gabriel conseguiu imaginar, mas ele já tinha encontrado várias brechas que poderia aproveitar para testar agir como ele mesmo. 

Naquele momento, como se vinda do nada, uma garota desceu correndo do primeiro andar em tal velocidade, como um flash dourado no momento em que o viu pela janela. Imediatamente, Dário reconheceu Dandara, que podia ser facilmente avistada com cada fio de cabelo e até mesmo suas unhas folheadas por uma camada de ouro puro. Pela cara de ansiedade e euforia dela, ela já estava esperando há um bom tempo. 

Afinal, além do fato de Eliezer e ele serem astros famosos, ambos tinham sido transferidos no meio do semestre, o que era o equivalente a carregar uma bandeira anunciando: Sou uma novidade! Me olhem!

Pareado com a presença exuberantemente dourada de Dandara, que tinha grudado os braços ao redor dele como se estivesse exibindo o troféu, sem nenhuma falha, ele tinha sido rapidamente engolido pelo mar de fãs curiosas que o seguiam de perto, mas não tiveram a coragem de se aproximarem até o momento.

— Meu deus! É Dário Khalil!

— Não acredito… Eliezer! Eles vão mesmo se transferir?

— Arg! Por que eu não estou no curso de Magitecnologia?

— Minha nossa… estou respirando o mesmo ar que Dário e Eliezer! Posso morrer feliz agora!

Apesar da programação, Dário ficou completamente sem reação ao ser cercado por um mar de fãs curiosos e alvoroçados pela primeira vez desde sempre. 

Eliezer por outro lado, já estava mais acostumado com aquele tipo de situação e tomou logo a frente. Ele sorriu cheio de simpatia, mantendo o papel de bom garoto que vendia enquanto driblava os fãs.

Foi suando frio que Ramon conseguiu descolar os tentáculos das garotas e finalmente escoltar os dois até o primeiro andar e mostrá-lo à turma.

Nenhuma das fãs curiosas entrou atrás deles, mas havia uma multidão disputando um espaço, mínimo que fosse, entre as cabeças que tentavam observar pela janela do corredor. A sala era grande e espaçosa, com janelas cobrindo toda a extensão da parede virada para o pátio e enormes carteiras multimídia individuais.

— Yo, presidente! — Ramon entrou na sala com um sorriso relaxado e os polegares nos bolsos, cumprimentando uma garota sentada ao lado da porta.

— Vice…

Sarah revirou os olhos com um deboche humorado. Dário se surpreendeu, pois o comportamento de Ramon estava sendo completamente diferente do que ele tinha demonstrado até o momento quando estavam apenas os três.

— Olhe! eu trouxe carne fresca… e de primeira… — Ele empurrou Eliezer para frente em direção a Sarah.

— Ei Ramon! Você está assustando o novato! O que ele vai pensar da gente se você estragar a primeira impressão dele? — ela resmungou.

— Com certeza ele vai pensar o mesmo que eu — Ramon disse sem titubear — que somos excelentes!

— Muito prazer, sou Eliezer Gerson. — Eliezer se apresentou depois de medir Sarah com os olhos.

Dário também acenou com a cabeça, parecendo um pouco distante, mas sorriu suavemente. Ele olhou bem para Sarah, de quem já tinha ouvido falar como sendo a magista de alto nível mais nova a se formar do campo de treinamento — até onde era de conhecimento público pelo menos. Ela era inesperadamente baixinha e de quadris largos, com seu cabelo curto, e aparência forte e atlética. 

— Vocês plebeus são todos seres indignos de aparecer na frente de meu queridíssimo Dário — Dandara acompanhou o grupo, depois de se gabar para o mar de fãs do lado de fora e entrou na sala com o nariz praticamente apontando para o teto.

Ao lado dela vinha uma garota bonita, mas que deu a Dário uma sensação estranha de como se estivesse olhando para uma mini versão de Gabriel. Pelo que lembrava das fichas que tinha lido, aquela devia ser Samir Prado.

— Vossa majestade… — Ramon fez comicamente uma reverência para Dandara e se afastou para o lado dando passagem a ela.

— Oh, então estes são os nossos novos escravos, digo, colegas? — Uma garota perguntou entrando na sala logo depois, mas parou de chofre ao ver o rosto deles. — Uau… 

— Respire… — Sarah recomendou.

— P-p-praz, digo, Olá, me ame, digo me chame de Bianca! Bianca Ruas! — A recém chegada se apresentou ou ao menos tentou, enquanto seus olhos arregalados se enchiam de lágrimas e ela tremia cheia de euforia sem decidir se olhava para Dário ou para Eliéser.

— Ela é a tesoureira da nossa turma. Depois que você se situar melhor e conseguir elaborar um projeto que queira pesquisar, você pode falar com ela para conseguir as verbas. — Sarah explicou, já que Bianca provavelmente morreria afogada na própria saliva antes de conseguir parar de babar pela dupla.

Dário sorriu polidamente para Bianca sem se importar com a reação da garota e Eliezer estendeu a mão para ela, o que provavelmente foi um erro, já que a garota aparentemente entrou em curto e não conseguiu mais se mexer. Só que Bianca não teve muito tempo para aproveitar a vista. Com a proximidade do horário da aula, mais alunos estavam chegando.

Mesmo considerando a empolgação dos estudantes com os novos colegas famosos, Ramon se retirou após ter cumprindo seu papel e as aulas começaram sem mais incidentes.

Eliezer, apesar de se esforçar para manter a expressão profissional, estava tendo calafrios ao olhar pros sorrisos casuais que Dário oferecia sempre que alguém falava com ele.

Eliezer passou a mão com força na cabeça assanhando os cabelos para espantar os pensamentos assustadores. Ele convivia com Dário há anos e sabia muito bem como ele agia normalmente. Algo estava diferente.

Os professores ministravam aulas com um conteúdo extremamente avançado. A Era Mágica era relativamente muito curta, então muito do que se sabia ainda estava sendo testado e aperfeiçoado, por isso metade do tempo era dedicado ao auto aprendizado e às pesquisas individuais e grupais, enquanto os professores assistentes apenas orientavam do lado.

Apesar de não conversar muito, Dário podia observar o quanto quisesse. Mesmo sabendo que tinha sido uma ideia de Gabriel, estar ali era quase… feliz.

No final da primeira semana, Eliezer se aproximou olhando torto e franzindo as sobrancelhas. Desistindo de tentar entender o que havia de diferente, ele rodeou Dário algumas vezes sem saber o que dizer. Para variar, Dário não lhe lançou nenhum olhar frio ou lhe ignorou.

Para Eliezer, aqueles dias tinham sido bem chocantes. Do nada, ele tinha sido informado que seria transferido de universidade para acompanhar Dário e do nada, Dário estava quase se comportando como um ser humano decente e não um robô.

— Você é bem estranho, sabia? — Eliezer disse antes de se afastar.

Dário piscou algumas vezes sem entender aquela colocação aleatória, mas não contestou.

Com um mês e plenamente acostumado com a nova rotina, Dário só tinha um problema: A garota da biblioteca. 

Gostando de ler, ele sempre acabava indo à biblioteca. O lugar ficava eventualmente cheio e barulhento, mas ao menos tinha versões digitais de vários livros que nunca vira antes. A garota aparecia às vezes, apenas na biblioteca, sempre totalmente coberta, pegava um livro e se sentava no canto mais isolado. Mas sempre que ele olhava na direção dela uma segunda vez, ela já tinha desaparecido.

Quando isso acontecia, Dário sentia uma sensação muito tensa que não sabia descrever. Ele estava cada vez mais consciente da ausencia dela. 

Curioso e inquieto com a situação, durante a saída depois de um dia inteiro de aulas, Dário despistou a multidão de fãs que costumava segui-lo para fora do campus e retornou até biblioteca, especulando que a garota ainda estivesse por lá.

E ela estava, de fato, sentada sozinha no canto da sala, olhando distraidamente pela janela. Era tão diferente, mas havia algo nela que o deixava com uma pulga atrás da orelha. Ele a conhecia. Seria mesmo ela?

Como ele tinha escondido sua presença para retornar até a biblioteca sem ser percebido pelos curiosos, Dário planejava bater no tampo de uma mesa para anunciar sua chegada quando a ouviu sussurrar. Mesmo a distância, ele pôde entender perfeitamente as palavras dela.

— Talvez seja melhor eu não vir mais aqui…

Sentindo o coração afundar e sem conseguir se conter, ele perguntou:

— Eu te ofendi de alguma forma?

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Ambientação Futurista, Controle Mental, Distopia, Dois Protagonistas, Identidade Secreta, Magitecnologia, Múltiplas Identidades, Pós-Apocalíptico, Protagonista Anti-Herói, Protagonista Overpower, Protagonista Subestimado, romance, Transtorno Pós Traumático

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