A Última Gota de Escuridão - Capitulo 11

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 A Gota Que Caiu Durante o Dia – parte 1

POV: Mirian Tristan

Mirian decidiu adiar a ideia de fuga por um tempo indefinido, já que independentemente do que ela fosse fazer dali para frente, ela precisava de informação. Assim, passou a seguir André até o instituto Heidrun onde passava os dias absorvendo conhecimento.

A ideia era ótima até a chegada de Dário Khalil e Eliezer Gerson, sempre seguidos por uma pilha de garotas na porta da biblioteca. Mirian sentiu a cabeça girar e encostou a testa contra a mesa.

— Você está bem? — Sarah perguntou, se aproximando, sem saber se tocava ou não em Mirian.

Em resposta, Mirian apenas grunhiu. O aumento repentino no fluxo de pessoas dentro e ao redor da biblioteca estava sendo uma tortura.

Tudo naquele momento era o borrão de energia, pensamentos e emoções que emanavam das pessoas. Eram tantas informações ao mesmo tempo, que sua cabeça girava sem conseguir processar nenhuma.

E não havia nada que Mirian pudesse fazer sobre isso. Deus sabe o quanto ela desejava poder se misturar aos grupinhos e agir como uma fã normal. Talvez pedir autógrafos, uma selfie com eles, quem sabe…

Sarah olhava com preocupação para Mirian, sem saber como ajudar, pois ela também não sabia qual era o problema. Claro, Sarah entendia que Mirian tinha passado a ter problemas com multidões, mas ela não imaginaria que sequer o aumento da movimentação no prédio e arredores fosse ser tão difícil.

— Eu estou bem, apenas dor de cabeça… — Mirian grunhiu, aninhando mais confortavelmente a cabeça entre os braços. Sem mais ideias, trocou os abafadores por fones de ouvido e colocou a música mais alta e barulhenta que tinha.

— Certo, certo, entendi… Eu vou indo, não esquece de me mandar uma mensagem quando chegar em casa se decidir voltar sozinha. Eu vou ficar esperando! — Sarah pediu.

Mirian arrumou os óculos no lugar e deu uma volta pelo salão da biblioteca. Puxou mais ainda o capuz sobre a cabeça e se espreguiçou em uma cadeira por onde podia ver o pátio do lado de fora pela janela. Depois que todos saíam, ela ficava sozinha ali observando a movimentação enquanto esperava por André. 

Mirian já estava se acostumando. Não… o melhor seria dizer que ela estava se conformando. Ela abriu a janela e sentiu a brisa da tarde acariciar o pouco do rosto que ainda estava exposto, para aproveitar aquele raro momento de paz e tranquilidade na escola, antes de ir pra casa.

Mirian ainda achava que não tinha muito do que reclamar da sua vida ali. Se as coisas tivessem permanecido como estavam, ela achava que ainda poderia lidar com tudo calmamente, um dia de cada vez. Só que a presença dos famosos realmente deixava as coisas complicadas para ela.

— Talvez seja melhor eu não vir mais aqui… — Mirian sussurrou para si mesma depois de conseguir relaxar o suficiente.

— Eu te ofendi de alguma forma? — Uma voz magnética e elegante, mas completamente fria de sentimentos soou bem próxima.

Assustada, Mirian despertou de seu devaneio e se virou para Dário, claramente sobressaltada com a presença repentina dele. Mirian nem tinha percebido quando ele se aproximara.

Mas como!? Quão poderoso ele deve ser para conseguir driblar minha super percepção e se aproximar tanto assim? Ela pensou.

Dário normalmente tinha uma aura forte e cheia de vigor, mas naquele momento ele parecia uma faísca prestes a se apagar, um contraste com o tom de voz quanto no rosto dele havia apenas frieza e vazio.

 — C-como? — Mirian perguntou, ainda um pouco sobressaltada, engolindo em seco para não começar a louvar aquele deus da música sozinho na sua frente.

— Se-se por acaso te ofendi de alguma forma… 

— Ham? Não? Não! Por que acha isso?

Quando Mirian viu a forma que a aura de Dário brilhava, cheia de insegurança, ela se sentiu culpada. Tudo ao redor dele costumava ser intenso demais para ela se sentir confortável ao se aproximar.

Não querendo se desmerecer nem nada, mas que relevância a presença dela teria na vida dele ou de Eliezer? Francamente, ela era ninguém. Teria sido muita pretensão se, ao contrário, ela tivesse se atrevido a pensar que Dário notaria seu afastamento proposital.

Em que universo seria normal que alguém tão magnífico, com o status de Dário Khalil, se incomodar com uma garota qualquer o evitando, principalmente depois de vê-lo pessoalmente.

Dito isso, foi uma surpresa para Mirian ver o medo e a insegurança na aura do rapaz. Depois de tantos anos acostumada com a imagem distante e misteriosa que ele transmitia nos palcos, ela nunca imaginaria ele ser do tipo que não aceitasse qualquer tipo de rejeição. Ele até mesmo estava gaguejando.

— Ah… — Dário segurou o antebraço esquerdo com a mão direita e desviou o olhar para a janela enquanto suspirava evidentemente sem acreditar no que Mirian disse. — Deve… deve ter sido impressão minha. 

Mirian desejou poder abrir os olhos e ver diretamente a expressão que ele estava fazendo. Várias informações tinham vindo a público no último mês e todos já sabiam que Dário nunca tinha frequentado uma escola normal, nem interagido com outros jovens da mesma idade por conta de sua carreira como músico e seu treinamento para virar um magista.

E ele era apenas um ser humano normal. Sentindo uma pontada de culpa, Mirian disse:

— Me desculpe… eu realmente estava pensando em te evitar — ela assumiu, deixando os ombros ainda mais caídos.

— Por que? — Dário perguntou surpreso. Um traço de emoção despercebida até escapou pela voz do rapaz. Ele jurava que ela iria evitar o assunto e negar até a morte.

— Você é muito… brilhante. — Mirian respondeu quase automaticamente, mas percebeu que essa explicação poderia causar mal entendidos — Quero dizer. Você é muito popular e eu tenho um pouco de dificuldade para lidar com… aglomerações. Sempre tem uma pilha de gente seguindo você para onde quer que você vá.

— Oh! — Dário exclamou surpreso.

— Eu tenho alguns problemas de, ah… saúde… é complicado. Sabe, eu não ando assim por que quero… — Mirian apontou para si mesma, ou melhor para o capuz e os óculos, enquanto ela o tempo todo mantinha a cabeça virada para o chão. — Ficar no meio de muitas pessoas acaba sendo inconveniente para me proteger.

— Entendi… — Dário acenou com uma das mãos, ainda muito rígido — Me desculpe por incomodar.

— Não, não se desculpe. Nem é sua culpa. Imagino que deve ser tão ruim para você quanto pra mim, afinal você também teve que recorrer a biblioteca para ter um pouco de paz. Quero dizer, não tenho nada contra você, só contra a movimentação extra.

Dário ficou calado por um tempo, sem concordar ou discordar.

— O seu problema… Ele é tão sério assim? — ele perguntou monotonamente. 

Mirian se sentiu um pouco pressionada vendo a reação de Dário. Ela se sentia ainda mais perplexa porque podia perceber pela aura brilhante ao redor dele, que ele não estava julgando-a ou coisa do tipo. Era apenas curiosidade e empatia. Se sentindo um pouco retraída pela primeira vez, Mirian apenas confirmou com a cabeça.

Dário exalou com força, parecendo um balão esvaziando. Nem ele saberia como explicar por que estava reagindo tão intensamente por aquela garota.

— Obrigado… Por me dizer… — Dário disse com um tom de voz mais alegre, mostrando um sorriso ensaiado,. Depois, ficou um pouco sem graça.

Ele respirou fundo e se acalmou, ainda olhando para o lado de fora com uma expressão serena, diferente da anterior que beirava um vácuo de emoções. 

Por pura curiosidade, Mirian tomou a decisão inconsciente de abrir os olhos e vê-lo diretamente ao menos por um instante. Quando seus olhos bateram nele, a primeira coisa que percebeu, foram as cores. Eles não eram pretos como a maioria pensava, eram de um tom anil, quase beirando um violeta, e muito escuros. E eles literalmente brilhavam, cheios de magia, como um céu estrelado.

Não era algo que era possível perceber pela tv. Talvez nem mesmo pessoalmente se a pessoa não tivesse o tipo correto de olhos para reparar. Distraída, Mirian quase não conseguiu conter as palavras que ficaram penduradas na ponta da língua: tão bonito… Sentindo-se um pouco egoísta, Mirian imaginou que talvez aquele fosse um pedacinho de Dário Khalil que apenas ela conhecia.

— E… e eu sinto muito… pelo que te fiz passar! — Dário disse, despertando a garota de seu devaneio — Eu vou tentar – tentar resolver. 

— Não precisa, sério… Eu vou ficar bem.

Dário ofereceu um sorriso deslumbrante, o primeiro sorriso sincero que Mirian o vira dar, e pareado com aqueles olhos mágicos, fez a garota jurar que era mais ofuscante que a aura de uma multidão de fãs emocionadas.

Baixando a cabeça e cheio de timidez, nada como a imagem inalcançável que sempre via-se por aí nos pôsteres, Dário escondeu as mãos nos bolsos e disse:

— Qual o seu nome?

— Mirian… 

— Mirian… Podemos… podemos ser amigos?

Mirian sentiu um arrepio escorrer por sua espinha. Quando Dário levantou os olhos e ela os viu diretamente, foi basicamente um combo fatal.

Dário esperou ansiosamente por uma resposta. Em algum lugar na mente de Mirian, ela sabia que deveria dizer alguma coisa, mas quem disse que ela conseguia sequer pensar? Foi apenas quando a energia piscou e faltou luz que ela voltou a si.

— E-essa não, alguém deve ter dado curto em algum dos laboratórios de novo… — Ela riu sem graça, abaixando a cabeça e fechando os olhos.

— Está tudo bem, eu entendo… — Dário suspirou decepcionado.

— Não, digo, quero dizer… É claro que eu quero ser sua amiga. Eu só fiquei surpresa! Não estava esperando por isso.

Os ânimos de Dário melhoraram instantaneamente e aquele magnífico sorriso cheio de sinceridade se abriu mais uma vez. 

— Estou interrompendo alguma coisa? — Alguém chamou dando batidinhas leves na porta. 

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