O Conselho das Estrelas - Volume 01 - Bem Vindos ao Conselho! - Capítulo 15

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15: Uma Nova Turma.

    Ao se afastarem das regiões populosas do Conselho, a calmaria do espaço sideral foi instaurada outra vez. Sem buzinas de furgões, reclamações de estrelas atrasadas ou pronunciamentos de última hora, apenas o engasgo cômico do motor e o trepidar das faíscas que saíam dos propulsores de um Opala 1977 tingido de amarelo, encontrado pela dupla de estrelas após a perseguição mais alucinante de todas. 

Não levou muito tempo para localizar um automóvel em boas condições. A ação das Ursas Menores apavorou tantos funcionários que ninguém teve a coragem de retornar às zonas mais detonadas, outro problema cuja solução ficaria nas mãos dos Arquitetos e Zeladores

    Andreia vigiava Antares que permaneceu deitada no banco de passageiros, enquanto isso, o professor de trajes elegantes assumiu o volante, buscando um lugar distante de qualquer encrenca. Eles precisavam de paz, mesmo que fosse momentânea.  

— Ela não teve cortes ou sangramento… Como isso é possível? — questionou Andreia confusa.

— Somos estrelas Andreia. Herdamos a forma humana, mas não temos as mesmas limitações que os mortais — explicou Cosmo — A Antares poderia ter explodido com aquela batida, e conseguimos evitar o pior graças a você!

— Eu não sei, toda essa história de estrelas, pós-vida, leitura de mentes… É demais para mim. — É óbvio que não sirvo para isso, você viu como todas aquelas pessoas estavam me olhando? Era como se eu fosse um tipo de salvadora! 

— Os Escolhidos são pessoas raras de se encontrar, então é comum que você seja vista como uma celebridade. Tem gente depravada por aqui, porém, a maioria quer ver seus dons magníficos e como pode nos ajudar a melhorar o nosso Conselho!

— Certo, mas por que eu fui escolhida? De todas as pessoas maravilhosas da Terra, pegaram alguém que terminou o ensino médio depois de reprovar 3 vezes! O que acham que vou fazer? Supervisionar um time inteiro? — Andreia ficou de bruços na porta direita, observando a Grande Morada no horizonte com um semblante de frustração. 

— Eu não seria tão pessimista. Existe um universo de possibilidades ao seu redor, e está tudo bem em não saber por onde começar, você descobrirá no decorrer do caminho.

— As coisas não devem ser tão fáceis assim, você só está me deixando mais desconfiada… 

— Não fique, pois estou falando sério! Eu não disse isso antes mas… Sou um professor, e com a ajuda da Antares, posso te ensinar o necessário para encontrar o seu lugar no Conselho das Estrelas. 

— Já falei que não preciso de… Quer dizer, eu… Droga! Eu não sei mais o que fazer…

— Já que seu orgulho não vai dissipar tão cedo, façamos um acordo! Aceite a minha ajuda, e quando estiver habituada com nosso recanto estelar, ficará livre para fazer o que quiser, fechado? — O rapaz estacionou o carro e estendeu o braço para Andreia.

— Fe… — Depois de tudo que vivenciou, a morena não tinha capacidade de se virar sozinha, e sabia bem disso. Como as oportunidades estavam limitadas, ela apertou a mão do professor fingindo uma postura decidida — Fechado!

— Maravilha! Então, temos uma rota traçada! — respondeu o rapaz ao afundar o pé no acelerador. 

— Ei, tome cuidado aí! — advertiu a moça quando o carro deu uma leve chacoalhada. — O que está fazendo? 

— Vamos para a detenção do Conselho, tem quatro pessoas que precisa conhecer! 

…

    Fazia tempo que Cosmo não dirigia um automóvel, já que sempre caminhava até a Cúpula da Iniciação sem qualquer preocupação com engarrafamentos. Mesmo assim, ele colocou as habilidades à prova ao passar de forma sorrateira por inúmeras ilhas, evitando o clamor desenfreado pela atenção da Escolhida. 

    O ato de pilotar provocou a sensação de ser o timoneiro de um navio pirata, tendo que depositar muita força para fazê-lo virar. A viagem foi turbulenta, mas eles tiveram muita sorte de chegar à plataforma da Detenção sem arranhões. 

    O barulho do metal colidindo com o piso chamou a atenção dos seguranças no portão de entrada, e correram na direção do ocorrido. Dois homens altos, a musculação bem definida por baixo do traje branco. As luvas e botas tinham a coloração escura com anéis dourados na região do cano. 

    Suas expressões eram fechadas, dignas daqueles que trabalham num lugar cheio de infratores da lei. A única característica destoante foram os penteados compridos no formato de zepelim.  

— Muito bem, veja só o que temos… Espere aí, Antares? O que aconteceu com ela? — questionou o primeiro segurança, a voz emanando superioridade. 

— É uma longa história, mas estamos com um pouquinho de pressa. — disse Cosmo nervoso. — Vejam bem, eu e minhas colegas viemos liberar quatro pessoas que foram mandadas para cá por engano. 

— Ninguém entra na Detenção por engano meu rapaz, muito menos quando falamos dos casos de Supernovas! — respondeu o segundo guarda. — Além disso, não permitimos a entrada de qualquer estrela sem o passe de entrada e a companhia de um segurança.

— Eu tenho o passe e a Antares está bem ali, ela irá nos acompanhar assim que… 

— Um momento, você tem um passe de entrada? Não gosto de imaginar a Antares perdendo uma luta, mas suas intenções me parecem suspeitas!

— Eles vão te transformar em comida para ratos… — sussurrou Andreia, lendo os pensamentos dos seguranças.

— Descanse a cabeça jovem Andreia, eu tenho tudo sob controle! — Cosmo contou com a sorte cedo demais, assim que as correntes saíram do veículo enroladas no corpo de sua portadora.

    Convencidos de que o passe foi roubado, duas lanças de prata com empunhadura de bronze surgiram nas mãos dos guardas, apontando para Cosmo e Andreia como os principais suspeitos do ocorrido. 

— Esperem um pouco senhores! Eu nunca iria machucar a Antares, sou o melhor amigo dela! 

— É o que temos haver com isso? — retrucou o segurança número dois. — Nunca vimos pessoas feias como vocês em todos esses séculos!

— Feia? Já se olharam no espelho com essas perucas ridi… — Antes que Andreia pudesse colocar mais lenha na fogueira. Cosmo sinalizou para cessar os xingamentos. 

— Essa garota é uma Escolhida do Ancião, eu e a Antares estávamos a protegendo das Ursas Menores. Pensem bem senhores, vocês não querem ver a Diretora furiosa em negar auxílio médico para uma de suas colegas, prender um professor inocente e botar o futuro do nosso Conselho em risco, correto? Conheço uma idosa que jamais iria perdoá-los! 

— Muito espertinho, mas a única idosa que conhecemos é a Dona Cleonice! — Os guardas responderam em uníssono. 

— Bom saber, eu sou o sobrinho dela!

— Como é? Ai, que, tudo! — De maneira inesperada, os marmanjos se desfizeram das lanças e perderam a postura habitual. De mãos dadas, passaram a falar num tom afeminado. — Sua tia é a mulher mais incrível deste Conselho, foi ela que nos ajudou a aceitar quem somos e nossos cabelos perfeitos. A melhor, de, todas!

— I-isso foi de dez a zero muito rápido! — falou Andreia com os olhos arregalados. 

— Faremos o seguinte, Sobrinho Querido da Cleonice: Vou cuidar da belíssima Antares enquanto meu colega irá guiá-los pela Detenção — respondeu o primeiro segurança cheio de alegria. 

— Sigam-me fofuchos! Tentem não fazer gracinhas ou vou acabar com vocês! — concluiu seu colega, engrossando a voz de forma ameaçadora. 

— Certo… Obrigado pela gentileza, Cavalheiros. —  Impactado com a surpresa, Cosmo entregou o passe ao segurança e o portão foi liberado, permitindo a entrada na Detenção. 

… 

    O lugar residia no interior de um meteoro cujo tamanho poderia acomodar mil estádios de futebol. As celas eram enfileiradas em corredores esféricos, a conexão fornecida pelo conjunto de escadarias que levavam aos inúmeros andares da instalação. 

    Falando dessa maneira, era como se o ambiente transmitisse uma sensação de sujeira e abandono, mas, parecia um colégio particular. Limpo, organizado, onde a disciplina e o controle reinam. Somente os seguranças mais pacientes foram convocados para trabalhar ali.

As paredes moldadas com a estrutura da grande rocha davam um aspecto colegial ao ambiente, junto às listras quadriculadas que eram iluminadas por glóbulos azulados ao lado das celas. Elas se assemelha com uma sala de aula comum, incluindo carteiras e o quadro negro onde os detentos recebiam suas “lições”. 

    O fato do local ser bonito e arrumado não o tornava agradável.  Gizes de cera mágicos — da mesma forma que as correntes da Antares — repetiam frases de repreensão na lousa até as estrelas desobedientes aprenderem a viver em sociedade outra vez. Se você associou a metodologia de ensino com um modo de tortura, pegou o espirito da coisa. 

— Tem certeza que essas pessoas estão aqui? Este lugar parece um hospício! — Andreia perguntou enquanto via alguns “estudantes” assimilando o conteúdo.

— Eles são os meus alunos, foram enviados para cá depois de uma pequena confusão na primeira aula, mas aposto que vocês serão bons amigos!

— Os detentos que procuram estão logo à frente — respondeu o segurança — Peço que não os provoquem, a baixinha quase se tornou uma Supernova… 

— Supernova? — Andreia quis perguntar sobre a literalidade daquela expressão, mas o raciocínio foi interrompido quando ouviram uma voz máscula e estridente ao longe.

…

— Essa porcaria de giz não escreve outra coisa? Estão repetindo as mesmas frases! — Laurindo, o homem vestido de empregada doméstica, tentava pegar o giz flutuante, que escapava de suas mãos à cada tentativa. 

— E-eu até ia te dar um giz Laurindo, mas não me dou bem com essas coisas desde o ensino médio… — Comentou Sugiru.

— O Laurindo correndo atrás do giz é tão engraçado! — disse Luna enquanto se divertia com o sofrimento do fisiculturista — Ei, pode tirar uma foto deles pra mim? É meio difícil de se mover com essa camiseta de força. 

— Mas nem ferrando, você irá me transformar em pedra de novo!

— A-aquilo foi um acidente, eu juro! Vamos lá grandalhão, quebra esse galho pra pequena Luna!

— Eu estou cercado de idiotas… — sussurrou Epaminondas, colocando a mão sobre o rosto a fim de poupar a visão daquela situação humilhante. 

Só pode ser brincadeira… — Quando Andreia encontrou o quarteto, a vontade de dar meia volta e largar Cosmo lhe subiu a cabeça na mesma hora.

    Por algum motivo, os seguranças pensaram que juntá-los numa única cela seria uma ótima ideia para evitar uma sobrecarga, mas a julgar pelo momento atual, aquilo estava longe de ser verdade. 

    As roupas deles continham diversos rasgos, a pele manteve um pouco do tom amarelado desde a confusão na Cúpula da Iniciação. A única exceção era Luna, que estava impossibilitada de se mover graças a uma camisa de força amarelada, além de se manter distante dos seus colegas de cela. 

— Achei vocês! — falou Cosmo de maneira ansiosa. — Não imaginam o quanto estou feliz em ver que estão… 

— Você! — De repente, um sentimento destrutivo tomou conta dos quatro baderneiros que avançaram contra Cosmo, sendo impedidos por uma barreira de energia.

— Eles não podem ser os seus alunos! — alertou Andreia. — Se não fosse pela barreira, eles iriam te dar uma surra! 

— Ainda estão nervosos… Vamos conversar com eles de maneira acolhedora!

Eu que estou cercada de idiotas… — A morena pensou colocando a mão sobre a testa. 

— Eu admito que alguns errinhos foram cometidos… Mas isso é coisa do passado! Eu vim aqui para soltar vocês!

— Corta esse papo, Professorzinho! — urrou Laurindo. — Você nos meteu nessa furada e agora quer se pagar de bom samaritano? 

— Eu já vi muitos jovens mal intencionados na minha época, mas você é totalmente sem escrúpulos! — criticou Epaminondas. 

— Bom, tenho certeza que posso compensá-los de alguma forma… — O sorriso do professor desapareceu, o tom trêmulo ao ver que não estava no controle da situação. 

— Como? Nos tirando daqui? Seria bom porque é muito barulhento e deprimente, sem cor, sem vida! — choramingou Luna. — Como eu poderia tirar fotos num muquifo como esse? Não ia render nenhuma curtida… 

— Para de falar essas coisas, pelo amor de Deus! — O fisiculturista esbravejou, fazendo a garota se esconder nas costas de Epaminondas. 

— Você não faz ideia do que a gente passou, e-e a culpa é sua! — concluiu Sugiru tentando atingir uma entonação séria. 

    Andreia não quis assumir o papel de espectadora do circo pegando fogo e tentou intervir, mas foi barrada quando Cosmo colocou o braço esquerdo na sua frente. A expressão não passava mais a imagem daquela pessoa gentil e hospitaleira, as sobrancelhas retraídas, a ausência de brilho nos olhos castanhos e um grande suspiro demonstraram que havia compreendido a gravidade da situação que ele mesmo causou. 

— Está certo, eu errei com vocês. Achei que poderia ensiná-los da maneira que fiz com meus outros alunos, mas não levei em consideração o quanto estavam com medo. 

— Do que adianta ter medo? Nós estamos mortos, não devíamos sentir mais nada!

— Laurindo, você pode se convencer do contrário o quanto desejar, mas eu sei que está pensando em tudo aquilo que deixou para trás. Vocês não precisam esconder mais o que sentem, então me digam: O que fariam se tivessem uma segunda chance?

    As feições exageradas e dentes rangendo passaram a diminuir de maneira gradativa, e os quatro se entreolharam com a convicção de que podiam ser sinceros consigo mesmos. 

— Talvez… — Epaminondas foi o primeiro a falar. — Eu poderia voltar a ser um grande homem…

— Eu poderia me livrar dos demônios que me perseguem… — continuou Sugiru.

— Eu… E-eu seria uma inspiração para alguém! — comentou Luna. 

— Eu… Gostaria de crescer… Sem medo algum. — completou Laurindo, as palavras proferidas com bastante dificuldade. 

— Todos nós trazemos os medos e frustrações para cá. Esses sentimentos irão doer ao ponto de consumir cada fibra da nossa composição, porém, as coisas não funcionam da mesma forma como na Terra. As chances são infinitas, sempre haverá a oportunidade de recuperarmos nossa honra, conquistar a liberdade, inspirarmos os outros, crescer com determinação… E descobrir quem realmente somos. 

   No final do monólogo, o jovem professor se virou para Andreia, que abriu um sorriso forçado quando virou o centro das atenções. 

— Por isso, eu peço que me concedam essa segunda chance! Eu vou mostrar tudo que o Conselho das Estrelas pode oferecer, farei com que todos possam melhorar as próprias habilidades e ajudá-los a se tornar aquilo que almejam ser! Posso não ser a pessoa mais qualificada para essa missão, mas… Eu darei o meu melhor para salvá-los! 

    Aquela foi a primeira vez que, após uma eternidade de barulhos no quadro negro, reclamações ou suplicas para que a lição acabasse, a Detenção ficou em completo silencio. Estes minutos foram os mais angustiantes para Cosmo, pois o resultado daquela conversa era crucial para que o seu emprego fosse mantido. 

— E se a gente fracassar? — questionou Andreia. 

— Então… Eu estarei com vocês até o fim! — O professor respondeu, esbanjando um grande sorriso. 

    De repente, a formação energética se dissipou e o giz caiu no chão, indicando o fim do aprisionamento. O quarteto não tinha motivos para atacar Cosmo, mesmo que estivessem apreensivos com o futuro. Seja como for, a melhor opção deles era agarrar a nova oportunidade com unhas e dentes.

— Foram belas palavras, Sobrinho da Cleonice! —  Os seguranças elogiaram o rapaz enquanto serviam de apoio para uma certa mulher de mechas alaranjadas.

— Antares… Eu… —  Cosmo achou que Antares também merecia um pedido de desculpas, mas ficou surpreso ao ser interrompido. 

—  Eu talvez esteja louca… Mas se você pretende fazer isso, vai precisar que alguém te coloque na linha, e uma coisinha para registrar o seu progresso — Reunindo os ultimos resquicios de força, a mulher devolveu a maleta e a câmera do professor. 

— Você… Não precisa fazer isso por minha causa! O-o seu trabalho com a Diretora é muito importante e ela vai perceber que se afastou por um motivo tão… 

— Eu preciso de motivos para ajudar o meu amigo? Agora não tem mais volta. Começamos isso juntos, agora vamos até o final!

 

    O rapaz não sabia como expressar em palavras ou gestos, mas cada parte de sua composição estava prestes a explodir de tanta empolgação. Depois de muita correria e uma enxurrada de incertezas, as engrenagens do destino começaram a se mover! 

— Então seremos um quinteto? — perguntou Sugiru ao se aproximar de Andreia, mas virou o olhar logo em seguida — I-isso pode ser legal…

— Ótimo, mais jovens para encher minha paciência… — resmungou Epaminondas. 

— Ei, alguém pode tirar essa coisa? — disse Luna ao se contorcer na camisa de força — Eu adoro momentos felizes! O que acham de um abraço em grupo?

— Vai abraçar o capeta, sua pirralha! — berrou Laurindo. 

Meu Deus, estou muito lascada — pensou Andreia, mantendo o sorriso largo para transmitir uma imagem positiva. 

    Se eu não soubesse como essa história termina, diria que o humilde professor tem uma bomba relógio nas mãos. O menor erro com estes estudantes levará o Conselho das Estrelas à ruína. 

    Porém, se tudo corresse como o planejado, não teria nada de interessante para contar à você. Este é um desafio no qual ele se comprometeu a superar, e o mais engraçado é que ninguém fazia ideia da grande jornada que estava apenas começando!

— Muito bem, nossa turma está formada! — O professor comemorou, tirando uma foto confusa e aleatória com sua nova turma — Agora, precisamos de uma van escolar!

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Aleatoriedades, Ambientaçao Fantástica, Aprendizado, Dinâmicas de Grupo, Magia, Mistério, Momentos Fofos, Protagonista Catalisador, Superação

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