O Conselho das Estrelas - Volume 02 - A Primeira Excursão - Capitulo 16

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16: Vamos Montar Uma Van Escolar! 

 

Agora que a turma foi reunida, o grande plano do professor Cosmo seria colocado em prática. Os setores do Conselho são repletos das maravilhas proporcionadas pela magia do espacial e aprendizados fundamentais para a carreira de qualquer estrela. Porém, isso não acontecerá sem um meio de transporte adequado. 

O rapaz de trajes elegantes discutia com os guardas responsáveis pelas “boas-vindas” de momentos atrás em um canto afastado da Detenção, com a finalidade de manter alguns tópicos em sigilo e dar a oportunidade dos alunos se conhecerem melhor. 

Os ânimos haviam passado e o silêncio preencheu os corredores, com todos se entreolhando à espera de qualquer assunto para quebrar o clima constrangedor, ainda mais com Antares os monitorando de braços cruzados.

— E então… — Luna tomou a iniciativa, dando cotoveladas no braço esquerdo de Andreia. O movimento era rápido e desajeitado por conta da camisa de força — O que está achando do rolê? O Pós-Vida é bem mais estranho do que a gente imaginava, né? 

— O quê? Nada disso, eu tive uma recepção bem calorosa! — respondeu a morena, com o sorriso largo intacto enquanto revirava os olhos. 

 — Seja lá o que você tenha passado, deve ter sido mais leve que ficar paralisado como uma estátua em uma cela apertada com três bocós! — retrucou Laurindo. 

— Espera, você disse paralisado no sentido literal?

— Deixa de ser rancoroso, grandalhão! Eu não tive culpa que nossos olhares se encontraram naquele momento inoportuno — comentou Luna de forma humorada, desconsiderando toda a confusão que ocorreu após a petrificação — Tipo, eu tenho certeza que os olhos do Japinha ali também são lindos!

— N-não se aproxime de mim, e-eu sou miope! — respondeu Sugiru ao se esconder por trás de Epaminondas, que nem estava prestando atenção na conversa. 

— Saia daí seu moleque medroso! Não era para eu estar me escondendo dela? 

— Ei, sem mais confusões por aqui! — ordenou Antares, Utilizando as correntes para afastar cada um dos alunos — Vocês acabaram de receber uma segunda chance, não joguem essa oportunidade no lixo!

Alguém me coloca em um foguete de volta pra Terra, por favor… — Cada neurônio da morena lutava contra a realidade na qual chamaria quatro detentos de “colegas”. 

— Bom, não temos tempo a perder, turma! — anunciou Cosmo que havia terminado a conversa com os seguranças. — Nossa primeira parada é a garagem de Detenção!

…

Guiados pelo professor, Antares e os seguranças, todos se amontoaram no pequeno elevador que os levaria aos andares inferiores da Detenção. Ver inúmeras celas por meio das paredes de energia transparente provocou uma sensação desconfortável nos novatos, como se algo terrível estivesse aguardando o momento que chegariam na garagem. 

— Não fiquem tão próximos das paredes! — alertou um dos homens com cabelo de zeppelin — É aqui que os verdadeiros arruaceiros fazem a festa… 

A estética semelhante a um internato transacionou para algo sujo e medieval. Os orbes roxos tentaram manter o local iluminado por conta dos séculos de uso, e sintonizado com as vozes, a atmosfera ficava mais sinistra à medida que desciam. 

Gritos de fúria e lamúrias ecoavam por trás das barreiras energéticas, o amarelo cintilante que refletia a vontade imensurável de conquistarem uma liberdade impossível. As silhuetas eram indistinguíveis, mas o par de pupilas amarelas era um padrão no meio de tantas celas obscuras.

— Vocês sabiam que essas paredes foram feitas com o próprio material do meteoro onde estamos? — disse o professor de forma despretensiosa — Os primeiros detentos construíram essa gigantesca Detenção do zero, e dizem que eles estão aqui até hoje!

— E-eles vão enterrar nossos cadáveres! — gritou Sugiru, se afastado da parede cintilante do elevador, e esbarrando no braço direito de Laurindo.

— Aí, porque temos que andar colados desse jeito? — questionou Andréia sendo espremida pelos dois colegas.

— Me pergunto a mesma coisa… — Laurindo soltou um grande suspiro, estava se segurando para não tirar Luna de suas costas na maior ignorância. 

— E isso não é tudo! — Cosmo continuou — O pior detento deste lugar chegou aqui depois de… — No mesmo instante que sentiu a mão de Antares repousando no ombro direito, entendeu que era o momento de parar as explicações. 

A vontade de passar o máximo de conhecimento aos novatos era grande, mas seriam palavras jogadas ao vazio onde ninguém daria a devida atenção. Não se tratava de indiferença, mas a incapacidade de afugentar as lembranças de tudo que passaram até o momento atual. 

O olhar apreensivo de Antares indicou que os momentos didáticos chegariam na hora certa. Agora, ele precisava se tornar a figura acolhedora que os guiará neste universo de possibilidades infinitas. 

— Certo, estamos quase chegando! — disse o professor assim que o elevador parou no andar selecionado. 

O silêncio reinou à medida que se aproximavam da garagem. A estética sombria e antiquada mudou quando chegaram a um extenso corredor com paredes metálicas, a iluminação vibrante revelando tons de cinza, com faixas amarelas e pretas em ambos os lados indicando o caminho.

Uma gigantesca porta de aço que os separava do destino, com batidas e roncos escandalosos vindos do outro lado. As cinco estrelas pensavam em cenários variados para adivinhar o que estava acontecendo, mas nenhuma ideia era mais significativa quanto a vontade de saírem daquele lugar. 

Porém, cada hipótese mostrou-se errada quando os portões se abriram. 

— Sejam bem vindas à garagem, minhas Estrelinhas! — disse Cosmo com muita animação, estendendo os braços para o cenário à frente. 

O local possuía as mesmas cores e faixas que as paredes do corredor, a grande diferença estava no posicionamento dos automóveis, respeitando o formato esférico do complexo, com a saída delimitada por uma abertura central no piso ligada à algumas rodovias do Conselho. 

Por falar neles, a aparência robusta transmitia superioridade, enfatizada pela sua eficiência em velocidade e resistência, e a razão dos pesadelos daqueles que desobedecem as regras. 

— Muito bem, prestem muita atenção — O professor acenou, chamando a atenção de todos — Como o meu local de trabalho está passando por reformas de última hora, fiz uma pequena alteração em nossa grade curricular e que certamente irá agradá-los! A primeira coisa que precisamos é de uma van escolar! — Em seguida, se virou para os seguranças — Cavalheiros, fariam as honras? 

Os dois rapazes assentiram com a cabeça e se dirigiram até uma área por trás de alguns furgões. A esperança era de que pudessem arranjar um veículo em boas condições para iniciarem as excursões, mas depois de alguns engasgos de motor ecoando no horizonte, o otimismo do professor começou a desaparecer. 

Um amálgamo de descuido, amassados e arranhões se mostrou diante da turma, levantando camadas densas de fumaça A julgar pela conservação, o veículo se tornou refúgio para gerações de aranhas ou qualquer organismo capaz de se desenvolver no espaço sideral. A lataria manteve o aspecto robusto de causar pavor nas estrelas obedientes, mas a pintura acinzentada perdeu sua magnitude de outrora graças ao acúmulo de poeira. 

— Eles estão levando o lixo para fora? — perguntou Laurindo, confuso. 

— Você é uma figura Laurindo! — respondeu o professor com um riso forçado — Mas eles estão apenas retirando os modelos antigos do caminho para buscar o modelo mais adequado para nós, não é? — Mesmo lançando um olhar afiado, os homens não se intimidaram. 

— Foi mal Sobrinho da Cleonice, mas essa é a única van disponível! — explicou um dos guardas — Ela não sai para rodar desde que um dos nossos colegas abandonou o cargo, então tivemos que colocá-la em algum canto. 

— Claro, isso é perfeito… Espera, isso é ótimo! Ela está um pouco detonada, mas podemos dar um toque nosso! 

Um toque nosso? — pensou Andreia, intrigada com as intenções de Cosmo. 

— Vamos mandar nosso amigo de lata para o Setor de Manutenção para uma restauração bem merecida, e é nessa parte que vocês entram em ação! Vamos discutir ideias de cores, símbolos e qualquer elemento gráfico para incrementar o visual da nossa van escolar, considerem isso como a nossa primeira tarefa! 

— Não acha mais fácil pegarmos um veículo novo? — perguntou Laurindo cruzando os braços. 

— Isso iria poupar tempo, mas quero que desenvolvam desde cedo o “Espírito de Equipe” de vocês! — Cosmo balançou os braços para enfatizar a última frase — Como turma, é essencial que respeitem a opinião do próximo e encontrem soluções para qualquer problema com coerência e harmonia, então, não há forma melhor de praticarmos do que uma pequena dinâmica. Vamos lá, tentem!

Imaginar uma van escolar era tão fácil quanto apostar corrida com um drone nos anéis de Saturno, mas levando em consideração que eram pessoas com ideias diferentes, pedir algo coerente seria demais. 

— Bem… — Sugiru tomou a iniciativa, dando alguns passos adiante — V-vans geralmente são amarelas…

— Japa, estamos no espaço sideral e todo mundo sabe usar magia, que tal irmos para algo mais fantasioso? Tipo… Uma carruagem de contos de fadas! — sugeriu a garota de cabelos rosados. 

— São ideias maravilhosas! Agora, lembrem-se que todo veículo possui a marca de um urso vermelho nas portas, isso será de grande importância para quando receberem os seus… — Enquanto anotava as sugestões em um caderno, o professor foi barrado pela primeira reclamação.

— Isso me parece com uma abóbora dourada. Vocês acham que isso é criativo? — debochou Laurindo. — Precisamos de algo mais ousado, como um carrinho de montanha russa roxo com chamas nas laterais!

— Isso até que é bem…

— Bobagem! — protestou Epaminondas — Toda viagem se torna mágica dentro de uma locomotiva a vapor! Lembro-me de quando fui para a Inglaterra a bordo de um Olton Hall 5792…

— Você quis dizer Expresso de Hog… — Epaminondas barrou o comentário de Andreia puxando uma de suas mangas. 

— Não se atreva a terminar sua frase se aprecia literatura de quinta categoria! 

A turma estava tão imersa nas sugestões que não perceberam o que ocorria logo atrás deles. Cada palavra agiu como dardos tentando acertar um alvo em movimento, o que fez o veículo sacolejar como se sofresse uma metamorfose. 

— Se vocês querem voar, colocar uns foguetes laterais não seria uma má ideia — sugeriu Antares. 

— Eles vão cair dessa forma, Antares! É melhor um foguetão na traseira e asas para terem um voo rápido e seguro! — A sugestão dos guardas resultou numa discussão repentina entre a dupla, as vozes afeminadas retornando ao tom grave de outrora.

— Estrelinhas, não percam o foco! — advertiu Cosmo, balançando a mão para chamar a atenção do grupo. — Isso está muito desorganizado, tentem se acalmar e reavaliem as sugestões, por gentileza. 

— C-calem a boca! Vocês estão me atrapalhando! — gritou Sugiru com as mãos sobre a cabeça, a respiração ofegante e as mãos trêmulas graças a cacofonia de péssimas ideias — A gente vai fazer o quê? Botar todas essas ideias de uma vez só?

A discussão gerou uma luz tão forte que cobriu a garagem inteira, fazendo os funcionários ao redor botarem óculos escuros o mais rápido possível, ou sair do local com medo de serem varridos da existência. Assim que a poeira baixou, o grupo viu o resultado de sua belíssima “obra de arte”. 

 A aparência era de uma típica van escolar brasileira, comprida e retangular com o capô rebaixado para suportar a gigantesca janela na cabine do motorista. No entanto, os outros elementos deram a impressão de que o veículo foi construído por crianças no jardim de infância.  

 As extremidades circulares tinham elevações na estrutura como pequenas estradas num campo de colinas. O formato fantasioso que Luna imaginou foi mantido, incluindo as janelas incrustadas com pedras preciosas, mas as cores seguiram as orientações de Laurindo, o roxo predominante na superfície e exaltando a estética de adrenalina.

 Além disso, haviam desenhos de chamas nas asas e nos três foguetes idealizados por Antares e os seguranças, com a inclusão de um contorno colorido e, estampado nas portas, o símbolo do Conselho tingido em vermelho escarlate. 

 E como se não bastasse tantos detalhes enfadonhos, para-choques foram acoplados na traseira e dianteira do veículo, uma pequena chaminé no topo e, se olharmos para dentro da cabine, a buzina foi trocada por um apito de trem dourado. 

— Isso é… — Cosmo não tinha palavras para descrever o que estava em sua frente. 

— Uma aberração! — Epaminondas protestou.

— A coisa mais bizarra que eu já vi! — apontou Laurindo. 

— E-Eu acho que falei demais… — Sugiru parecia desapontado com o resultado, mesmo que tenha explodido em um momento de tensão. 

— Fala sério! — Andreia se juntou às reclamações. — Nem mesmo o melhor astronauta teria coragem de viajar nessa coisa! 

— Dois foguetes nas laterais! — vociferou o primeiro guarda. 

— Foguetão com asas! — retrucou o segundo guarda. 

 No fim, a atividade não saiu da maneira que Cosmo esperava. O trabalho em equipe foi jogado de escanteio para escolhas individuais provocarem o conflito de peças, cores e apetrechos batizada de van escolar, mas um pequeno detalhe o fez perceber que nem tudo saiu em vão. 

 Uma pequena garota de saia quadriculada se aproximou do automóvel, o par de olhos dourados incapaz de se desvencilhar por um mero segundo. Êxtase e admiração encheram o coração ao passo que palavras tentavam sair pela boca. Diferente do resto do grupo, ela o aceitou de braços abertos. 

— Ele é… Perfeito! — Luna não conteve o impulso de alegria e o expressou por meio de pequenos pulos enquanto passeava ao redor do veículo, procurando o máximo de detalhes possíveis. — Já sei! Vamos chamá-lo de Jefferson! 

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Aleatoriedades, Ambientaçao Fantástica, Aprendizado, Dinâmicas de Grupo, Magia, Mistério, Momentos Fofos, Protagonista Catalisador, Superação

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