O Sétimo Espelho - Capítulo 18

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Sob a Lâmina de Hyde

          A primeira coisa que Heitor percebeu foi a luz. Não aquela difusa do quarto de hospital, filtrada pelas cortinas. Era algo mais focado, direto e violento. Piscou algumas vezes, na tentativa de se acostumar, porém, mesmo com os olhos fechados, sentia o calor incômodo sobre as pálpebras.

          “Que merda…?”, levou a mão ao rosto, mas o braço não se moveu. Tentou mais uma vez. Nada. As pernas e a cabeça pareciam igualmente indispostas a aceitar os comandos. “Uma paralisia?”, cogitou, no entanto, os sintomas excediam o desconforto habitual.

          Um pressentimento ruim guiou os olhos até onde uma nova bolsa de soro se conectava ao dorso da mão. O líquido transparente gotejava com uma regularidade quase profana, irradiando um calor ácido pelas veias. Sentiu um arrepio rastejar pela coluna ao se dar conta de que já tinha passado por uma situação similar.

          O coração disparou no mesmo instante em que tentou arquear o tronco, se contorcendo. A resposta foi mínima, um tremor inútil contra a superfície rígida.

          O ar ficou pesado e uma vertigem escura abriu-se no estômago, puxando tudo para baixo, como se estivesse afundando em água gelada. Os pulmões resistiram por reflexo, mas o pânico já se infiltrava, lento e inevitável.

          Teve sorte e escapou na última vez, mas agora as coisas pareciam diferentes. O cansaço que o invadia não era o torpor familiar das madrugadas mal dormidas, mas um peso químico, denso, como se tivessem despejado chumbo líquido dentro de suas veias. Era difícil lutar contra aquela sensação. Estava com sono e os pensamentos  eram constantemente empurrados para um abismo víscido, afundando na escuridão antes de se completarem.

          Na borda do algar, uma melodia infantil, simples e doce demais para aquele lugar  pousou sobre os resquícios de sua consciência. A voz baixa, quase carinhosa, cantarolava cada vez mais perto. As palavras não se formavam, só o ritmo. Um embalo lento, errado, que raspava por dentro do crânio.

          “Eu já ouvi isso… onde…?”

          As memórias vaguearam para um lugar escuro, com o chão e paredes de terra úmida. O ar estava pesado e tinha cheiro de sangue.

          “A mina!”.

          O peito subiu e desceu frenético e a dor aguda nas costelas terminou de despertá-lo. “Porra! Reage!”, Heitor respirou fundo, tentando focar além do caleidoscópio vertiginoso de tetos e pisos.

          O relógio e as cortinas que rodeavam a cama haviam sumido. Aquele não era o seu quarto habitual. “Mas eu ainda estou no hospital”, supôs, baseado no cheiro e o formato borrado da logo em uma das paredes. “Essas luzes… isso é alguma sala cirúrgica?”.

          Ele tentou se mover novamente, mas tudo o que conseguiu foi ouvir o gemido abafado, produzido pela própria garganta e que não chegou a passar pelos lábios.

          Ainda estava tonto, quando o som metálico tilintou em algum lugar próximo a sua cabeça. Podia sentir as tiras grossas envolvendo pulsos e tornozelos. O pescoço também estava preso, firme o bastante para impedir qualquer movimento real. Mesmo sem o sedativo, sair dali seria difícil.

          — Você já acordou? — A voz veio de algum ponto atrás dele. Dissoluta. Tremida nas bordas. —  Isso foi mais rápido do que eu imaginei. 

          O estômago do inspetor se contraiu e uma náusea súbita e violenta trouxe consigo um gosto amargo e persistente. O reflexo de vomitar contorceu as entranhas, mas o corpo não obedeceu e o enjoo ficou preso dentro dele, azedando a garganta.

          “É aquele maldito!”. Uma sensação desagradável reverberou pelas pontas dos dedos, enquanto o cheiro pungente de sangue e água salgada escapava das memórias.

          “Como me encontrou? Ele tava na mina antes do desabamento ou…”. O raciocínio se interrompeu e um estalo seco agitou o quebra-cabeças. Peças soltas, até então desconexas, giraram e se encaixaram de uma só vez e um quadro muito mais nítido se formou diante do inspetor. “Não é na mina… É aqui que ele caça suas vítimas”.

          — Bom garoto. — O timbre rançoso esquentou a orelha de Heitor, o tirando dos devaneios. — Você se comportou muito bem! Agora, se me permite, podemos começar?

          O odor lascivo se intensificou quando a silhueta coberta pelo traje cirúrgico emergiu das sombras. O rosto, devorado pela luz, era apenas um borrão indistinto, mas os detalhes ainda estavam ali. O jaleco esverdeado, a touca que deixava alguns fios grisalhos à mostra e a máscara de proteção desgastada. Heitor iria captar qualquer vestígio que pudesse revelar a verdadeira identidade de seu algoz.

          — Se você continuar quietinho não vai doer nadinha.

          A mão enluvada passou por cima da cabeça do inspetor. O metal afiado refletiu brevemente antes de encostar sobre sua pálpebra direita.

          “Frio”. Heitor sentiu o próprio olho tremer sob a lâmina, um reflexo involuntário que não conseguiu conter. Se o homem forçasse um milímetro a mais, a pele cederia. Mas ele não o fez.

          — São tão lindos…

          O homem demorou-se na órbita do olho como quem reconhece um território. O dorso do bisturi descreveu um arco lento, quase respeitoso, pressionando a pele sem romper.

          O sedativo embotava os músculos, mas não a consciência. Cada toque parecia amplificado, como se o corpo inteiro se contraísse em torno daquele ponto específico do rosto. O médico tinha ciência disso. Sabia onde tocar, quanto pressionar e quando parar. Ele sabia exatamente o que estava fazendo. 

          Heitor entendeu de imediato: Os gestos deliberados não pretendiam causar dor física. Aquilo não era sobre o corte em si, era sobre o seu anúncio. 

          “Ele quer que eu imagine”. 

          O bisturi se afastou por um segundo. Não para dar alívio, mas para prolongar a espera. O homem se divertia com o intervalo, com o silêncio quebrado apenas pela respiração irregular de quem estava imobilizado. Quanto mais o pânico amadurecia, mais satisfeito ficava.

          Heitor resistiu ao impulso primitivo de fechar os olhos quando a lâmina tocou os cílios inferiores. Aquele era um predador que ansiava pelo medo. Todo o ritual dependia disso. “Controle”, concluiu, lutando contra a névoa química que tentava afogá-lo. “Ele quer ter controle absoluto sobre o último instante….”

          Cordeiro cerrou os punhos, sentindo a raiva queimar pela garganta:

          — Filho… da puta — a voz era mais um rosnado do que qualquer outra coisa.

          — Ah. — O homem estremeceu. Um gemido baixo escapou da máscara antes de um riso contido. — Já consegue falar? Você é mesmo uma criatura incrível!

          Sua respiração ficou mais pesada, quase ofegante. O cheiro doce e enjoativo, quebrado por algo metálico como ferrugem, impregnou o ar. Era nauseante, mas Cordeiro se manteve firme. Aquele odor era familiar de alguma forma. Só precisava de alguns segundos para organizar as memórias e descobrir de onde o conhecia.

          Não era álcool, nem cigarro. Aquilo não vinha da boca, exalava de dentro. “Ele está doente?”, refletiu.

          Heitor pode ouvir os passos irregulares se afastando atrás de si, acompanhando a melodia baixa de uma canção antiga. O aroma suave e distante de limpeza hospitalar ficou mais concentrado, quase tóxico, enquanto ruídos extasiados se fundiam ao farfalhar das luvas de látex.

          — Você viu, não viu? — O homem cochichou, interrompendo a canção. — Ele é perfeito! Finalmente o encontrei!

          — Não cabe a você decidir isso. Nós ainda não temos certeza se é ele. Devemos levá-lo até o altar.

          Cordeiro apertou os olhos, silenciando os pensamentos. “Com quem ele está falando? Tinha mais alguém aqui?”.

          — S-sim. Você tem razão. M-mas… só pode ser ele, não é? Você também viu. Ele pode ver além do espelho.

          — Já chega! Ande logo com isso. Vamos descobrir assim que o levarmos lá.

          O inspetor girou o pescoço o máximo que as ataduras permitiam. Como pensou, não havia mais ninguém ali além dos dois. Talvez o outro estivesse falando no telefone, ou com alguém que espiava além dos vidros espelhados. O médico tinha um cúmplice e isso poderia ajudá-lo, se jogasse as cartas certas.

          — Me perdoe pela demora — O algoz soou composto novamente.

          Heitor deixou o ar escapar devagar pelas narinas, controlando a própria respiração. O instinto gritava para se debater, para tentar qualquer coisa antes que o bisturi voltasse, mas o corpo não obedeceria ainda. Não completamente. O sedativo ainda pesava nos músculos. Precisava ganhar mais tempo.

          Os passos que se aproximavam eram irregulares. Um arrasto leve no direito, seguido de um impacto seco do esquerdo. Pausa. Respiração curta. Outro passo. “Ele está ferido? Não… É mais provável que seja algo crônico”, concluiu.

          O som metálico de instrumentos sendo alinhados sobre a Mesa de Mayo veio logo depois, preciso e gentil. Um tipo de organização obsessiva que se encaixa muito bem no perfil que o inspetor havia montado.

          — Como cortesia pela espera, vou deixar que escolha. Direito ou esquerdo primeiro? — O bisturi meneou de uma lado para o outro.

          Heitor fechou os olhos por um instante. Não por medo. Estava calculado as possibilidades. “Tempo. Eu preciso de tempo”.

          A voz irreverente de Ricardo surgiu como uma resposta:

          “— Você precisa criar um Rapport, cara. É isso que as mulheres querem. Um relacionamento de confiança e empatia. Você tem que praticar a escuta ativa, validar os sentimentos do outro e demonstrar que ele está sendo ouvido e levado a sério.

          — Não vou usar uma técnica de manipulação com a Melissa, seu fodido.

          — Vai por mim. Faz o teste e depois conta pro pai aqui. Não sou o melhor negociador da 13 atoa, né?”.

          — Então, já se decidiu? — A lâmina se aproximou novamente.

          Heitor sentiu o coração bater contra as costelas machucadas. Uma. Duas. Três vezes. Se falasse cedo demais, morreria. Se esperasse muito também. Decidiu avaliar o momento, forçando um sorriso tímido:

          — Antes de escolher… — Testou a altura da voz. — Você tem certeza de que pode fazer isso agora?

          O metal parou no ar.

          — Do que está falando?

          — É só que… — Cordeiro hesitou de propósito. — Eu ouvi você conversando… e… acho que algo assim precisa ser feito… da maneira correta.

          Outra pausa.

          — Mas não acho que esteja em condições no momento — concluiu, rezando para que o outro caísse na armadilha.

          O homem se aproximou do rosto de Heitor. Os óculos de proteção refletindo o azul intenso que o encarava de volta. Frios, firmes, sem nenhum pingo de submissão. Essa era a primeira vez que alguém retribuia suas iniciativas com tal expressão e por mais que estivesse no controle, isso o incomodou. Muito.

          — Meu garoto. — Ele riu. — Você não vai conseguir sair daqui com vida. Se está tentando algo, é melhor desistir.

          — Não estou tentando nada. — O inspetor balançou a cabeça. — Só acho um desperdício… estragar algo importante por causa da pressa.

          Silêncio.

          A respiração do médico ficou irregular. Mais próxima, mais pesada. O cheiro enjoativo impregnou o ar acima de Heitor e ele sentiu um peso extra se debruçar sobre a maca. O homem estava tão perto que sua cabeça havia eclipsado a luz intensa e o policial pôde ver a sombra acinzentada dos olhos que o observavam com o interesse de um animal farejando algo novo.

          O predador tinha dúvidas. E essas incertezas significavam rachaduras em seu método perfeito. Um formigamento leve subiu pelas pernas de Heitor. Quase nada, mas estava ali. Ele não se mexeu, apenas contou mentalmente o tempo que ainda podia roubar.

          — Você viu, não viu? — O médico se afastou, saindo do campo de visão do paciente. — Ele é perfeito. Finalmente o encontramos! Finalmente eu poderei…

          — Humano tolo. Não se precipite. Sem o altar, não há oferenda.

          — M-mas eu posso prepará-lo… deixar pronto…

          — Você não passa de carne apodrecida. Se o danificar antes, o mestre recusará a oferenda. Conheça o seu lugar… e obedeça.

          — S-sim, senhor… e-eu… só…

          Heitor não conseguia compreender os lamentos baixos que o homem soluça atrás da maca, mas sabia que essa era a oportunidade perfeita para agir.

          — Entendi. Você não decide sozinho, não é mesmo? — provocou.

          — O que… disse? — o médico perguntou, baixo demais.

          Heitor demorou a responder. Precisava que aquele homem chegasse mais perto e que estivesse disposto a ouvi-lo até o final.

          — O mestre sim, mas ele não confia em você  — completou.

          O homem não retrucou de imediato. Em vez disso, virou o rosto para o vazio. Sua cabeça inclinada, como se estivesse escutando os sussurros de alguém que observava do outro lado dos vidros reflexivos da sala.

          Um segundo passou. Depois outro e mais um.

          — Você não…? Por quê? — murmurou para as paredes.

          O silêncio que se seguiu foi diferente. Não era a imposição de quem dominava,  mas a hesitação daquele que começa a duvidar. Se saísse dali com vida, lembraria de agradecer a Ricardo.

          — O mestre me deu essa tarefa porque confia em mim — murmurou, trêmulo.

          — Tenho certeza que só te dariam uma tarefa tão importante porque sabem que você é capaz. — Heitor sorriu, flexionando os dedos da mão.

          — Isso. O mestre sabe. Eu sempre fui leal. Sempre.

          Agora que já tinha a atenção do sujeito, o inspetor precisava compreender melhor a motivação, por mais distorcida que fosse.

          — Então… Não está na hora de você ser reconhecido por isso? — instigou.

          O tom áspero do cúmplice veio em resposta, perto demais para que estivesse observando além do vidro:

          — Não dê ouvidos a ele. Não percebe que está tentando te manipular? Ande logo com isso, ser estúpido, antes que o mestre se zangue de verdade.

          “Está no viva-voz?”, Heitor flexionou os dedos dos pés, depois os tornozelos. “Ainda não é o suficiente, preciso de mais”.

          Em algum lugar acima da cabeça do inspetor, o soro continuava a pingar. Cada intervalo era um segundo roubado da morte. “Continue falando”, pensou.

          — Manipular, você diz… Mas não sou eu quem está o impedindo de fazer a vontade do mestre, não é mesmo? — Cordeiro atacou o ponto fraco.

          O efeito foi imediato. O médico recuou meio passo, esbarrando na Mesa de Mayo. Os instrumentos tilintaram contra a bandeja, que recuou até mais perto da maca.

          — Sim… eu sei o que o mestre quer… eu posso dar a ele… e ele vai…

          O homem não terminou. Virou o rosto para o vazio novamente, escutando a voz que agora gritava a plenos pulmões:

          — Não dê ouvidos!

          O médico levou a mão livre à própria cabeça, pressionando a têmpora com força.

          — Eu preciso ter certeza — sussurrou, quase implorando. — Mas só pode ser ele. Sim, só pode ser…

          Heitor aproveitou a distração para esticar o braço. A ponta dos dedos quase tocaram na bandeja. “Merda, só mais um pouco…”.

          — Vamos agora!! — a voz sibilada guinchou. — Não te resta muito mais tempo.

          O homem cambaleou atordoando pela sala. As mãos tremiam erguidas na frente do rosto, como se não conseguisse mais ver. Cordeiro tentou novamente alcançar a mesa, mas uma dor aguda percorreu o braço quando o médico esbarrou no suporte, derrubando o soro.

          — Carne podre e inútil. Irá morrer sem conseguir o que deseja? Você nunca teve salvação.

          — N-não. Eu… eu vou cumprir meu dever… e-eu vou…

          Os berros guiaram o médico de volta à maca. Sua cabeça balançando no ritmo dos movimentos erráticos, como um fantoche mal articulado. 

          Os gestos que eram delicados até então se tornaram ríspidos e vagos sobre a mesa. “Ele está fora de si”, Heitor puxou as amarras com toda a força que havia recuperado. Sentiu o aperto no pulso afrouxar um pouco, mas estava longe de ser o bastante para se libertar.

          O homem voltou a cantarolar aquela canção infantil enquanto preparava a medicação em uma seringa. Se Heitor errasse agora, o outro não hesitaria. O inspetor umedeceu os lábios secos antes de provocar:

          — Tem certeza disso? Você não vai ter uma segunda chance. Se te pegarem, o seu disfarce de médico já era.

          A melodia desafinou por um instante. A voz do cúmplice sussurrou algo e o médico gemeu em resposta, voltando para a maca.

          — O hospital já serviu ao propósito. O restante… será diante do altar.”

          — Se for ele… não terei mais que me esconder. I-isso! Mas, não aqui… seria um desperdício. Preciso levá-lo inteiro… como os outros. Como deve ser… ele é o Bachir… O Bachir do mestre.

          O homem se aproximou, mas a atenção de Heitor estava em outro lugar. Em um canto escondido dentro da própria mente, onde a voz de uma mulher ressoava imperativa: 

          “É melhor achar outro. Esse já é meu”.

          O inspetor fechou os olhos e respirou fundo:

          — Eu devo estar louco… mas, não custa tentar.

          — Você falou alguma coisa? — O médico inclinou a cabeça, confuso.

          — Há muito tempo, conheci uma mulher que me disse para chamá-la, caso alguma sujeirinha irritante grudasse em mim de novo.

          — Ah, é mesmo? — Ele aproximou a agulha do pescoço do paciente. — E qual era o nome dessa mulher encantadora?

          Heitor sentiu uma corrente elétrica percorrer do dedo anelar até a nuca.

          — O nome dela é… Olívia.

          O ar pareceu encolher entre os dois e, pela primeira vez, o médico não era o único monstro naquela sala.

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